Sedentarismo pode provocar dores na coluna

A lombalgia é um problema que acomete principalmente pessoas idosas, mas é cada vez maior o número de jovens que procuram os consultórios médicos com dores nas costas. E os principais motivos são vícios de postura, o sedentarismo e a obesidade. “Os idosos sentem dores nas costas, em um processo degenerativo natural. Mas notamos um número cada vez maior de jovens com quadro de lombalgia. A sobrecarga na coluna vertebral e seu desalinhamento, em função de má postura, podem provocar a lombalgia. A esse quadro somam-se o sedentarismo e a obesidade. Outro problema é o tempo que esses jovens passam diante de um computador ou videogame, sentados por horas e horas. Tudo isso contribui para que a lombalgia apareça cada vez mais cedo. Ao menor sinal de dor, é preciso procurar um especialista”, explica o médico fisiatra e reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, Haim Maleh.
O médico do CREB lembra que o sedentarismo é um fator de risco para inúmeras doenças graves. No caso da lombalgia, pode complicar ainda mais o quadro do paciente, pois pode aumentar as dores musculares e danificar as articulações. “O mal posicionamento aumenta as curvas naturais do corpo e pode até levar a inclinação lateral da coluna, o que nos traz contração muscular, bastante desconforto e dores. Manter uma boa postura ao andar, sentar, dormir, dirigir, praticar exercícios físicos faz toda a diferença e certamente traz muito mais qualidade de vida”, garante.
– Se a pessoa não buscar a ajuda médica, não praticar exercícios e não cuidar de sua postura, é possível que venha a ter problemas maiores como artroses, cardiopatias e hérnias de disco. Alterações na coluna vertebral, como as hiperlordoses – mais comuns nas mulheres – e a hipercifose torácica – frequente tanto no sexo masculino como feminino – são muito constantes. Quem sente dores regulares precisa primeiro conversar com o médico, para ser bem orientado. A dor na coluna tem cura e temos vários protocolos que trazem excelentes resultados – finaliza o Dr. Haim Maleh.
Aumento da longevidade traz progressão do número de fraturas
“O aumento da longevidade faz com que a progressão do número de fraturas seja cada vez mais expressiva. A ocorrência da fratura do quadril, pela sua alta taxa de mortalidade e morbidade e pelo alto custo de tratamento, é o mais importante marcador da...
“O aumento da longevidade faz com que a progressão do número de fraturas seja cada vez mais expressiva. A ocorrência da fratura do quadril, pela sua alta taxa de mortalidade e morbidade e pelo alto custo de tratamento, é o mais importante marcador da efetividade no tratamento da osteoporose. Em países e sistemas que, especialmente na última década, vêm investindo na prevenção da osteoporose e de suas consequências, o número de fraturas do quadril vem diminuindo. O que eles têm em comum é a prevenção secundária de fraturas, ou seja, evitar a fratura seguinte. Visto que metade dos pacientes que tiveram uma fratura do quadril teve uma fratura prévia e que os tratamentos disponíveis provaram ser extremamente eficientes para diminuir fraturas subsequentes, boa parte das fraturas de quadril é evitável. É nesse cenário que o ortopedista desempenha um papel preponderante”.
O alerta é do ortopedista Bernardo Stolnick, do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – e coordenador do CREB Prevrefrat – Programa de Prevenção a Refatura da clínica. Segundo ele, a osteoporose é uma doença óssea caracterizada pelo comprometimento da resistência óssea que predispõe a um aumento do risco de fratura. “A fratura por fragilidade óssea é a maior expressão clínica dessa doença. Fratura por fragilidade é definida pela Organização Mundial de Saúde como “uma fratura causada por um trauma que seria insuficiente para fraturar um osso normal, resultado de uma redução da resistência compressiva ou torsional”. Do ponto de vista clínico poderia ser definida como uma fratura que ocorre como o resultado de um trauma mínimo, como uma queda da própria altura ou menor ou por trauma não identificado. As fraturas por fragilidade típicas incluem vértebras, fêmur proximal (quadril), rádio distal e úmero proximal”, explica o Dr. Bernardo.
Pelas estatísticas, um paciente com fratura por baixo trauma do punho, quadril, úmero proximal ou tornozelo tem quase quatro vezes maior risco para fraturas futuras. Pacientes com uma fratura vertebral terão novas fraturas vertebrais no prazo de três anos, muitos já no primeiro ano. Um paciente com uma fratura vertebral tem quase cinco vezes mais risco de uma futura lesão semelhante e o dobro do risco para fratura do quadril e outras fraturas não vertebrais. E pacientes que sofreram fratura do punho têm quase duas vezes o risco relativo de uma futura fratura do quadril.
“Fraturas secundárias ocorrem rapidamente após a primeira fratura. O risco de fraturas subsequentes parece ser maior, logo após uma fratura, especialmente no primeiro ano. Pacientes que tiveram uma fratura do quadril formam o grupo de maior risco para fraturas futuras e devem ser priorizados para avaliação e início de tratamento para evitar outras fraturas secundárias. Ao contrário do que se possa imaginar, esses pacientes podem se beneficiar muito do tratamento. Iniciativas para evitar fraturas secundárias (subsequentes) devem ser oferecidas a todo homem e mulher acima dos 50 anos que tiveram fraturas por fragilidade, pois essas fraturas podem preceder uma fratura do quadril no ciclo que uma fratura conduz a outra (“cascata fraturária”). Uma fratura por fragilidade inicial é o suficiente para requerer uma avaliação que inclui medição da densidade mineral óssea com avaliação do risco de fratura e início de tratamento, se não houver alguma contraindicação formal”, afirma o médico do CREB.
Chikungunya: fisioterapia é indicada para combater dores articulares provocadas pela doença
A persistência da dor articular é uma das principais queixas dos pacientes com chikungunya – estatísticas dão conta de que mais de 90% dos pacientes no início da doença têm febre de início repentino, fadiga, cefaleia e, finalmente, dores nas articula...
A persistência da dor articular é uma das principais queixas dos pacientes com chikungunya – estatísticas dão conta de que mais de 90% dos pacientes no início da doença têm febre de início repentino, fadiga, cefaleia e, finalmente, dores nas articulações das mãos, punhos, joelhos e tornozelos. Segundo o Dr. Haim Maleh, professor da UFRJ e Reumatologista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo -, é muito comum que pacientes acometidos pela doença também sintam dores intensas nas articulações dos membros superiores e inferiores extremamente incapacitantes, com presença de edema e sensação de dormência nas extremidades.
“As dores podem ser intensas. Há necessidade de repouso, além do tratamento medicamentoso. Mas por conta das dores, que geralmente se manifestam em variadas articulações, orientamos o paciente a utilização da fisioterapia, que tem recursos para melhorar esse quadro”, explica o Dr. Haim. “A dor nas articulações pode ser intensa, e altera a qualidade de vida do paciente. A utilização da fisioterapia é muito importante nesse momento, porque ela combate e alivia a dor”, acrescenta o ortopedista do CREB, Dr. Bernardo Stolnicki.
A dor nas articulações pode ser intensa
O Dr. Haim pontua que após dois meses de início da chikungunya, pacientes podem manifestar um quadro de artrite, o que têm sido observado pelos médicos que atendem pessoas acometidas pela doença, que reclamam, mesmo após a fase aguda da chikungunya, de dificuldades para andar e inflamação das juntas das mãos e pés, por exemplo. “A doença pode funcionar como um gatilho no sistema imunológico. Isso justificaria o quadro inflamatório nas articulações e a baixa resposta aos analgésicos”, afirma o Reumatologista. O Dr. Bernardo acrescenta que as estatísticas apontam que 70% das pessoas que adoecem não têm complicações articulares e que o quadro se resolve em três semanas, mas diz que é importante fazer fisioterapia e consultar um médico especialista.
O próprio Ministério da Saúde está atento a esta questão, e preparou um documento, com orientações para os médicos que atendem pacientes com chikungunya. Esse documento contém dez orientações, entre as quais a recomendação do uso de fisioterapia. As outras nove são: a principal manifestação clínica da chikungunya é a forte dor muscular; o tratamento medicamentoso deve ser prescrito exclusivamente por um médico, sendo que a dose deve ser ajustada segundo a intensidade da dor do paciente; o medicamento a ser utilizado é o paracetamol e a dipirona, para alívio da dor e da febre; outros analgésicos podem ser utilizados em caso de dores severas; anti-inflamatórios não esteroides preferencialmente devem ser utilizados com cautela na fase aguda, devendo-se excluir possibilidade do diagnóstico de dengue; uso de compressas frias de quatro em quatro horas, por 20 minutos; repouso e hidratação; pacientes devem evitar esforço sobre as articulações e carregar peso; e é importante movimentar as articulações acometidas cinco vez ao longo do dia, além da hora de acordar e antes de dormir.
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